Na história da comunicação humana, nunca um meio agitou tanto as massas como a Internet. Mais: nunca um meio afectou tanto a sociedade e as suas formas de comunicar e hábitos de vida, alterados profundamente a partir do advento da rede de computadores.
A revolução no mundo das telecomunicações e da informática atingiu a população mundial transversalmente, nos mais diversos sectores das relações humanas e das mais diversas formas.
Pela primeira vez, pode-se dizer que estamos perante um meio de comunicação de massas, de alcance universal, pelo menos teoricamente. A democratização da comunicação, quer no acesso, quer na produção, foi, aliás, a grande mais valia do fenómeno, que hoje está presente à escala global. Bruno Giussani, numa entrevista ao Expresso Online, asseverou, que a invenção da Internet constitui “ um momento de verdadeira democratização”. Hoje, é “parte integrante” da sociedade. Poderosa e atraente, a Rede não tem fronteiras – nem geográficas, nem temporais. Além disso, não padece de divisões de outras ordens, como classe, religião, política, cultura, idade, género ou interesses.
Quando comparada com outros instrumentos mais tradicionais, a Internet apresenta ainda duas grandes vantagens: a velocidade e a interactividade. A distribuição dos dados processa-se, agora, à velocidade cruzeiro, em tempo real, algo impensável há duas décadas atrás. À distância de um simples clique, o utilizador dispõe de um rol infindável de possibilidades
.
A tecnologia proporciona também um nível de interactividade superior ao proporcionado por outros meios de comunicação, mais unilaterais. Isto significa que os usuários não só podem consumir a informação disponível, enquanto espectadores como também podem par
ticipar nas várias actividades e nos inúmeros serviços disponibilizados (Lemos, 1998).
Em pouco mais de duas décadas, a Internet assumiu e proporcionou o comando da vida em sociedade. Há quem a considere vital, como o “ar que respiramos”, como Giussani. A célere expansão do meio veio acompanhada por revoluções tecnológicas, económicas e sociais.
Do ponto de vista tecnológico, a Rede é também o reflexo da imaginação colectiva e do progresso da sociedade humana, que desde os primórdios almejou quebrar barreiras de espaço e de tempo, de forma a transpor as limitações da comunicação e da partilha.
A Internet vive agora um novo momento, com a eclosão da chamada Web 2.0 ou Web social. Esta segunda geração de serviços na Internet nada tem a ver com a tecnologia, mas, antes com o conteúdo. Diferente da Web inicial, sobretudo contemplativa, esta nova fase assenta em novos paradigmas, onde a colaboração, a interacção e a força do colectivo funcionam como motores da nova sociedade virtual.
Caiu por terra o clássico modelo “ um emissor que fala e os receptores escutam”. A rede mundial de computadores “possibilita a comunicação de muitos para muitos”, como teorizou Pierre Lévy (1994). Foi este sociólogo tunisino radicado em França que propôs o conceito de “inteligência colectiva”, no inicio dos anos noventa, quando a internet comercial ainda dava passos titubeantes. Hoje, a expressão virou a máxima para a nova vaga da Web. Manuel Castells – para quem a criação da Internet foi uma façanha extraordinária na história humana – também a partilha da ideia de que, pela primeira vez, estamos perante uma comunicação de muitos para muitos, à escala global. Em “ A Sociedade em Rede” (2002), o sociólogo espanhol apresenta uma importante contribuição para o debate acerca da anatomia da sociedade deste novo século. Para Castells, vivemos numa sociedade globalizada em rede, centralizada no uso e aplicação da informação e conhecimento, com a internet a ser a base tecnológica para a forma organizacional da Era da Informação.
Segundo o autor, a formação de redes é uma prática humana muito antiga, mas, ganhou uma nova pujança, recentemente, com as redes de informação a serem energizadas pela Internet.
“ Se as tecnologias de informação são o equivalente histórico do que foi a electricidade na era industrial, na nossa era poderíamos comparar a Internet com a rede eléctrica o motor eléctrico”, escreve Castells em a “ A Galáxia da Internet” (2004).

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